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Training, Alignment & Adaptation Datasheet — SOTA++ 2026

Inferência começa em \(\theta\). Este documento explica como \(\theta\) chegou ali: dados, objetivos, otimização, SFT, preference optimization, RL, PEFT, distillation, merging, pruning e continual adaptation.

A fronteira conceitual é:

\[ \boxed{ Architecture \neq Weights \neq Training \neq PostTraining \neq Inference } \]

O mesmo backbone pode produzir comportamentos radicalmente diferentes dependendo do dataset, objective, optimizer trajectory e pós-treinamento.

Veja também:


1. O grafo completo de treinamento

Uma visão útil é:

raw data
   ↓
filter / license / quality / safety
   ↓
deduplicate / normalize / tokenize
   ↓
mixture construction / curriculum / packing
   ↓
PRETRAIN
   ↓
base model θ₀
   ↓
SFT / instruction tuning
   ↓
preference / reward / verifier training
   ↓
offline preference optimization or online RL
   ↓
distillation / PEFT / domain adaptation / merge
   ↓
checkpoint θ*
   ↓
quantization / runtime packaging
   ↓
inference

Não existe um único “training step”. Existem múltiplos operadores de atualização aplicados em fases diferentes.


2. A equação universal de atualização

Para parâmetros \(\theta\), loss \(\mathcal L\) e learning rate \(\eta\):

\[ \theta_{t+1}=\theta_t-\eta_t\,u_t \]

onde \(u_t\) é a direção de atualização produzida pelo optimizer a partir dos gradientes e de seu estado, incluindo momentum, scaling adaptativo ou weight decay desacoplado quando usados. Para SGD de minibatch sem momentum nem weight decay:

\[ u_t=\hat g_t=\nabla_\theta \mathcal L(\theta_t;B_t) \]

O gradiente no minibatch \(B_t\) estima o gradiente do objetivo de treinamento.

A loss define o que é desejável.

O optimizer define como nos movemos no espaço de parâmetros.

O dataset define quais regiões desse espaço recebem sinal.

Como diagrama qualitativo de dependências:

\[ Behavior = f(Architecture,Data,Objective,Optimization,PostTraining) \]

3. Data pipeline — o primeiro controle real

3.1 Dataset mixture

Considere datasets \(D_i\) e pesos \(w_i\):

\[ P(x)=\sum_i w_iP_i(x) \]

com:

\[ \sum_i w_i=1,\qquad w_i\ge0\ \text{para todo }i \]

Os pesos da mistura são um hyperparameter comportamental.

Alterar \(w_i\) muda a distribuição sobre a qual o modelo aprende.


3.2 Quantity ≠ diversity ≠ quality

Mais tokens não significam automaticamente mais informação útil.

Uma decomposição conceitual:

\[ EffectiveData =f( N_{tokens}, Diversity, Quality, Novelty, Coverage, Duplication ) \]

Duplicação excessiva reduz novidade e pode aumentar memorization.


3.3 Deduplication

Pode ocorrer em diferentes granularidades:

  • documento;
  • sequência;
  • substring / n-gram;
  • semantic embedding;
  • perceptual hash para mídia.

O objetivo é reduzir:

\[ P(repeated\ evidence) \]

sem destruir repetições semanticamente legítimas.


3.4 Contamination

Se um item de avaliação \(e\) ou uma transformação quase equivalente aparece no treino:

\[ P(e\in D_{train})>0 \]

então o benchmark deixa de medir puramente generalização.

Contamination é problema de training data governance e de evaluation design.

Veja 17_EVALUATION_BENCHMARK_EXPERIMENTATION_DATASHEET.


3.5 Synthetic data

Pipeline típico:

\[ SeedData \xrightarrow{Teacher} SyntheticCandidates \xrightarrow{Filter/Verifier} TrainingSet \]

O ganho depende de:

\[ Q_{synthetic} \times Diversity \times Coverage \]

Há risco de:

  • teacher bias amplification;
  • error amplification;
  • style collapse;
  • synthetic monoculture;
  • loss of tail distribution.

4. Tokenization e packing também são training parameters

Após tokenizer:

\[ x\rightarrow(t_1,\ldots,t_T) \]

Treino normalmente usa janelas de comprimento \(L\).

Sem packing eficiente, padding desperdiça compute:

\[ Efficiency= \frac{UsefulTokens}{TotalProcessedTokens} \]

Sequence packing concatena exemplos para aproximar:

\[ Efficiency\rightarrow1 \]

mas exige cuidado com:

  • attention masks;
  • document boundaries;
  • position reset;
  • cross-example leakage.

5. Pretraining objectives

5.1 Causal language modeling

\[ \mathcal L_{CLM} =-\sum_{t=1}^{T}\log p_\theta(x_t|x_{\lt t}) \]

É o objective clássico de decoder-only AR.


5.2 Masked modeling

Para conjunto de posições \(M\):

\[ \mathcal L_{mask} =-\sum_{i\in M}\log p_\theta(x_i|x_{\setminus M}) \]

Veja 02_LLM_TRANSFORMER_INFERENCE_DATASHEET.


5.3 Contrastive learning

\[ \mathcal L= -\log \frac{\exp(sim(q,d^+)/\tau)} {\sum_j\exp(sim(q,d_j)/\tau)} \]

Aqui \(\tau>0\) é contrastive temperature, não sampling temperature. O denominador inclui o exemplo positivo e os demais exemplos candidatos.

Veja 11_EMBEDDING_RETRIEVAL_RERANKER_DATASHEET.


5.4 Diffusion / flow objectives

Diffusion-style:

\[ x_t=\alpha_tx_0+\sigma_t\epsilon \]

Treino pode minimizar:

\[ \mathbb E\|\epsilon-\epsilon_\theta(x_t,t,c)\|^2 \]

ou parametrizações equivalentes.

Flow matching:

\[ \mathcal L_{FM} = \mathbb E\|v_\theta(x_t,t,c)-u_t(x_t)\|^2 \]

Veja 04_IMAGE_GENERATION_DIFFUSION_FLOW_DATASHEET.


6. Optimization mechanics

6.1 Effective batch

Com microbatch \(B_m\), gradient accumulation \(G\) e data-parallel world size \(W\):

\[ B_{effective}=B_mGW \]

Em tokens:

\[ Tokens/update \approx B_{effective}\times L_{avg} \]

É frequentemente melhor comparar treino por tokens por update do que por “batch size” nominal.


6.2 Learning rate

\[ \eta_t \]

é um dos knobs de maior sensibilidade.

Muito baixo:

\[ |\Delta\theta|\rightarrow0 \]

Muito alto:

  • divergence;
  • catastrophic forgetting;
  • reward collapse;
  • loss spikes.

6.3 Warmup

Uma forma linear:

\[ \eta_t= \eta_{max}\frac{t}{T_w} \qquad t\lt T_w \]

Reduz passos agressivos enquanto optimizer statistics e activations ainda se estabilizam.


6.4 AdamW — visão mecânica

Momentos:

\[ m_t=\beta_1m_{t-1}+(1-\beta_1)g_t \]
\[ v_t=\beta_2v_{t-1}+(1-\beta_2)g_t^2 \]

Atualização simplificada:

\[ \theta_{t+1} = \theta_t - \eta\frac{\hat m_t}{\sqrt{\hat v_t}+\epsilon} - \eta\lambda\theta_t \]

Parâmetros fundamentais:

  • learning rate \(\eta\);
  • \(\beta_1\);
  • \(\beta_2\);
  • \(\epsilon\);
  • weight decay \(\lambda\).

6.5 Gradient clipping

Global norm, para \(g\neq0\) e limiar \(c>0\):

\[ g'= g\cdot \min\left(1,\frac{c}{\|g\|}\right) \]

Para \(g=0\), defina \(g'=0\). Isso limita a norma do gradiente; a atualização dos parâmetros também depende do optimizer.

Não corrige uma loss mal especificada.


7. Precision de treinamento

Estados podem viver em precisões diferentes:

\[ W_{storage}, W_{compute}, Gradients, OptimizerStates \]

Exemplos:

  • FP32;
  • BF16;
  • FP16;
  • FP8 em pipelines suportados;
  • 4-bit frozen base em QLoRA.

Mixed precision busca reduzir memória/compute mantendo estabilidade numérica.


8. Memory model do full fine-tuning

A regra ingênua:

\[ M=N_{params}\times bytes \]

é insuficiente.

Treino inclui aproximadamente:

\[ M_{train} = M_W+M_G+M_{opt}+M_A+M_{comm}+M_{workspace} \]

onde:

  • \(M_W\): pesos;
  • \(M_G\): gradients;
  • \(M_{opt}\): optimizer state;
  • \(M_A\): activations.

Com Adam-like optimizers, optimizer states podem superar o tamanho dos próprios pesos.

Veja 09_LOCAL_AI_INFERENCE_RUNTIME_DATASHEET.


9. Gradient checkpointing

Sem checkpointing, muitas activations intermediárias são guardadas.

Checkpointing troca memória por recompute:

\[ Memory\downarrow \quad\Longleftrightarrow\quad Compute\uparrow \]

É uma alavanca de runtime de treino, não uma mudança na função-objetivo.


10. Distributed training

Data parallelism

Replica modelo, divide batch.

Tensor parallelism

Divide operações/tensores dentro de uma camada.

Pipeline parallelism

Divide camadas em stages.

FSDP / ZeRO-style sharding

Particiona:

  • parameters;
  • gradients;
  • optimizer states.

A topologia de comunicação passa a ser parte importante do custo:

\[ T_{step} = T_{compute}+T_{communication}+T_{sync} \]

11. Supervised Fine-Tuning — SFT

Dataset:

\[ D=\{(x_i,y_i)\} \]

Loss:

\[ \mathcal L_{SFT} =-\sum_i\sum_t m_{i,t} \log p_\theta(y_{i,t}|x_i,y_{i,\lt t}) \]

onde \(m\) define quais tokens participam da loss.


11.1 Completion-only loss

Se tokens de prompt têm máscara zero:

\[ m_t= \begin{cases} 0 & prompt\\ 1 & answer \end{cases} \]

Isso evita ensinar o modelo a predizer o próprio prompt quando a finalidade é instruction following.


11.2 Chat template é parte do treinamento

Mensagens são serializadas em tokens especiais.

Usar serialização de mensagens ou convenções de tokens de controle incompatíveis com o treinamento pode causar regressão relevante na inferência. A compatibilidade envolve papéis, limites e semântica dos tokens; não exige identidade byte a byte entre um exemplo completo de treino e um prefixo de inferência.

Chat template não é cosmética de frontend.


12. Instruction tuning versus knowledge injection

Fine-tuning pequeno é excelente para:

  • formato;
  • estilo;
  • política de resposta;
  • workflow;
  • tarefa específica.

É menos confiável como mecanismo principal de factual knowledge injection.

Uma aproximação conceitual:

\[ SFT\rightarrow BehaviorPrior \]

mais do que:

\[ SFT\rightarrow ExactDatabase \]

Para conhecimento mutável, retrieval frequentemente é melhor.


13. Preference data

Uma amostra pairwise:

\[ (x,y_w,y_l) \]

onde:

  • \(y_w\): preferred/chosen;
  • \(y_l\): rejected.

O dado não contém apenas “qualidade”. Ele incorpora a distribuição de preferências do anotador/judge.

Veja 12_REWARD_VERIFIER_JUDGE_DATASHEET.


14. Reward modeling

Reward model:

\[ r_\phi(x,y)\in\mathbb R \]

Bradley–Terry:

\[ P(y_w\succ y_l) = \sigma(r_w-r_l) \]

Loss:

\[ \mathcal L_{RM} =-\log\sigma(r_w-r_l) \]

O reward é uma proxy learned objective.

Portanto:

\[ MaxReward\neq MaxTrueUtility \]

necessariamente.


15. RLHF clássico

Pipeline simplificado:

SFT policy
   ↓
collect preferences
   ↓
train reward model
   ↓
online policy optimization
   ↓
aligned policy

Uma objective abstrata:

\[ \max_\theta \mathbb E_{y\sim\pi_\theta}[r_\phi(x,y)] - \beta D_{KL}(\pi_\theta\|\pi_{ref}) \]

Para cada prompt \(x\), o KL compara as distribuições condicionais de saída. Use \(\beta>0\) e suporte da reference policy onde a policy otimizada tem probabilidade positiva; o treino calcula a média do objetivo sobre prompts. O termo KL penaliza drift.


16. PPO-style post-training

PPO usa clipped policy ratio.

\[ r_t(\theta)= \frac{\pi_\theta(a_t|s_t)} {\pi_{old}(a_t|s_t)} \]

Objective simplificada:

\[ L^{CLIP} = \mathbb E \left[ \min( r_tA_t, clip(r_t,1-\epsilon,1+\epsilon)A_t ) \right] \]

Maximize esse surrogate, ou minimize seu negativo. Rollouts são amostrados da policy de coleta congelada \(\pi_{old}\), com vantagens tratadas como fixas durante o update. Essa policy tem papel diferente da reference policy \(\pi_{ref}\) usada na regularização RLHF.

Historicamente importante, porém infraestrutura de actor/critic/reward/reference torna o pipeline complexo.


17. Direct Preference Optimization — DPO

DPO elimina o reward model explícito no loop de otimização.

Uma forma canônica por par, com \(\beta>0\) e probabilidades positivas para as respostas comparadas nas duas policies:

\[ \mathcal L_{DPO} = - \log\sigma \left[ \beta \left( \log\frac{\pi_\theta(y_w|x)}{\pi_{ref}(y_w|x)} - \log\frac{\pi_\theta(y_l|x)}{\pi_{ref}(y_l|x)} \right) \right] \]

Knobs fundamentais:

  • \(\beta\);
  • preference dataset;
  • reference policy;
  • sequence length;
  • chosen/rejected quality.

18. KTO / ORPO / offline preference families

A ideia importante não é decorar siglas.

É perguntar:

  1. usa pairwise preference?
  2. exige reference model?
  3. otimiza odds/log-ratio diretamente?
  4. combina SFT e preference penalty?
  5. é offline ou coleta novas trajectories?

ORPO, por exemplo, integra preference penalty no próprio SFT e evita reference model separado.

KTO trabalha com sinais desirable/undesirable inspirados em utility asymmetry em vez de exigir pares perfeitos.

A taxonomia é mais durável que a sigla.


19. Online RL com reward verificável

Em tarefas com checker:

\[ R(y)= \begin{cases} 1 & verified\\ 0 & fail \end{cases} \]

ou reward contínuo derivado do ambiente.

Exemplos naturais:

  • matemática;
  • código/testes;
  • puzzles;
  • tool tasks com state transition verificável.

Isso reduz dependência de judge subjetivo, mas somente para propriedades cobertas pelo verifier.


20. GRPO — group-relative optimization

Para um prompt, gere grupo:

\[ \{y_1,\ldots,y_G\} \]

Rewards:

\[ r_1,\ldots,r_G \]

Uma vantagem group-normalized conceitual:

\[ \hat A_i = \frac{r_i-\mu_G}{\sigma_G+\epsilon} \]

A vantagem relativa reduz necessidade de critic explícito.

Failure surface importante:

se todos os rewards são idênticos e \(\epsilon>0\):

\[ \sigma_G=0 \quad\Rightarrow\quad \hat A_i=0 \]

Dispersão muito menor que \(\epsilon\) também atenua o sinal normalizado. Desvio-padrão pequeno em valor absoluto, sozinho, não implica vantagens pequenas: quando supera o estabilizador, a normalização pode preservar sinal relativo de ordem um e também amplificar ruído do reward.


21. DAPO — leitura como sistema, não como buzzword

DAPO surgiu como uma evolução prática de large-scale RL, combinando decisões de clipping/sampling e tratamento token-level para melhorar estabilidade/eficiência em treino de reasoning.

A lição generalizável:

\[ RL\ performance \neq PolicyObjective\ only \]

Ela depende de:

  • sampling distribution;
  • dynamic filtering;
  • reward design;
  • clipping;
  • rollout length;
  • infrastructure.

22. GSPO — sequence-level ratio

GSPO substitui razão token-level por uma razão normalizada no nível da sequência:

\[ s_i(\theta) = \left( \frac{\pi_\theta(y_i|x)} {\pi_{old}(y_i|x)} \right)^{1/|y_i|} \]

ou:

\[ \log s_i = \frac1{|y_i|} \sum_t \log \frac{ \pi_\theta(y_{i,t}|x,y_{i,\lt t}) }{ \pi_{old}(y_{i,t}|x,y_{i,\lt t}) } \]

Isso é especialmente relevante para MoE RL, onde token-level routing differences podem tornar importance ratios frágeis.

Snapshot 2026: GSPO permanece um exemplo importante de como unidade estatística do update pode ser tão importante quanto reward function.


23. On-policy versus off-policy

On-policy

Dados vêm da policy atual:

\[ y\sim\pi_\theta \]

Pros:

  • signal alinhado ao comportamento atual.

Cons:

  • caro;
  • rollout infrastructure;
  • instabilidade.

Off-policy / offline

São eixos diferentes. Aprendizado off-policy atualiza uma policy alvo com dados de outra policy de comportamento; ainda pode coletar experiência nova online, por exemplo com replay.

Aprendizado offline usa dataset fixo, pré-coletado, sem nova interação:

\[ D=\{x,y,r\} \]

Vantagens potenciais de um dataset fixo:

  • reutilização da experiência coletada;
  • menor custo de coleta adicional;
  • comparação controlada e reproduzível dos dados.

Riscos:

  • distribution mismatch;
  • extrapolation error e otimização instável.

Aprendizado off-policy ou offline não é inerentemente barato ou estável; o custo total também inclui aquisição de dados e otimização.


24. Reward hacking e overoptimization

Se reward model é proxy:

\[ R_{proxy}\neq U_{true} \]

então aumentar otimização pode eventualmente produzir:

\[ R_{proxy}\uparrow \quad U_{true}\downarrow \]

Esse é um caso de Goodhart.

Veja 12_REWARD_VERIFIER_JUDGE_DATASHEET.


25. PEFT — a ideia matemática

Full fine-tuning:

\[ W\rightarrow W+\Delta W \]

com \(\Delta W\) irrestrito.

PEFT restringe a atualização a um subespaço parametrizado menor.


26. LoRA

Para:

\[ W\in\mathbb R^{d_{out}\times d_{in}} \]

LoRA usa:

\[ \Delta W=BA \]

com:

\[ B\in\mathbb R^{d_{out}\times r} \]
\[ A\in\mathbb R^{r\times d_{in}} \]

onde:

\[ r\ll\min(d_{in},d_{out}) \]

Update:

\[ W'=W+\frac{\alpha}{r}BA \]

ou scaling variante conforme implementação.


27. LoRA trainable parameter count

Aproximadamente:

\[ N_{LoRA} =r(d_{in}+d_{out}) \]

por matriz alvo.

Logo:

\[ N_{LoRA}\ll d_{in}d_{out} \]

se \(r\) é pequeno.


28. LoRA knobs

Parâmetro Tag Controle
r TRAIN capacidade do subespaço de update
alpha TRAIN scaling do update
target modules TRAIN quais matrizes recebem adapters
dropout TRAIN regularização
initialization TRAIN condição inicial da adaptação
bias training TRAIN se biases também mudam

Não existe rank universalmente ideal.


29. Target modules

Em Transformer podem incluir:

  • Q;
  • K;
  • V;
  • O;
  • gate/up/down projections;
  • embeddings/output em casos específicos.

Mais módulos:

\[ Capacity\uparrow \]

mas também:

\[ TrainableParams\uparrow, Memory\uparrow, OverfitRisk\uparrow \]

30. QLoRA

Ideia:

base weights: quantized + frozen
           ↓
forward/dequant compute
           ↓
train LoRA adapters

A base é excluída das atualizações de parâmetros:

\[ \Delta W_{base}=0 \]

Os adapters \(A,B\) são otimizados. Congelar a base não significa que a derivada matemática da loss em relação aos pesos seja zero; os gradientes dos pesos da base não são acumulados para otimização. Gradientes dos adapters também podem ser zero em determinados passos: na inicialização padrão \(B=0\), o gradiente inicial da loss em relação a \(A\) é zero.

QLoRA reduz drasticamente memória do frozen base, mas treino continua exigindo:

  • activations;
  • adapter gradients;
  • optimizer state dos adapters;
  • temporary dequant buffers.

Logo:

\[ FileSize_{Q4}\neq TrainingVRAM \]

31. DoRA

DoRA separa magnitude e direção do peso.

Na convenção de camada linear \(W,V\in\mathbb R^{d_{out}\times d_{in}}\) e com vetor de magnitude \(m\in\mathbb R^{d_{out}}\), a decomposição para linhas não nulas de \(V\) é:

\[ W_{j,:}=m_j\frac{V_{j,:}}{\|V_{j,:}\|_2}, \qquad j\in\{1,\ldots,d_{out}\} \]

Cada linha de saída é normalizada ao longo da dimensão de entrada; sua magnitude é aplicada por broadcasting nessa linha. Uma convenção de pesos transposta expressa a mesma operação por coluna. A direção recebe adaptação low-rank; magnitude é aprendida separadamente. Normas de linha zero exigem convenção numérica explícita na implementação.

Objetivo: aproximar mais a liberdade do full fine-tuning mantendo PEFT.

Trade-off:

  • maior flexibilidade;
  • overhead maior que LoRA puro.

32. LoRA initialization virou um eixo real

Implementações modernas suportam estratégias como:

  • default no-op;
  • Gaussian;
  • PiSSA;
  • EVA;
  • LoftQ-oriented initialization;
  • CorDA-like variants.

A escolha pode afetar:

\[ Convergence, QuantizationError, InitialPerturbation \]

Portanto “LoRA” não define sozinho a dinâmica.


33. Adapter composition

Adapters podem ser:

  • carregados separadamente;
  • ponderados;
  • combinados;
  • merged nos pesos.

A soma linear:

\[ \Delta W = \sum_i\lambda_i\Delta W_i \]

pode gerar interferência.

Não assuma composicionalidade perfeita.


34. Model merging — espaço de parâmetros

Com checkpoints \(\theta_i\):

Linear merge

\[ \theta_{merge} = \sum_i\alpha_i\theta_i \]

com pesos normalmente normalizados.


35. Task vectors

Com base \(\theta_0\):

\[ \tau_i=\theta_i-\theta_0 \]

Merge:

\[ \theta^* = \theta_0+ \sum_i\lambda_i\tau_i \]

Essa visão permite tratar fine-tuning como vetor de deslocamento no parameter space.


36. TIES / DARE

TIES busca reduzir interferência via:

  1. sparsification;
  2. sign consensus;
  3. merge apenas de deltas compatíveis.

DARE usa random drop + rescaling de deltas antes de merge.

A ideia geral:

\[ Interference(\tau_i,\tau_j) \]

pode tornar média simples destrutiva.


37. SLERP e geometria de merge

SLERP interpola em uma geometria esférica entre vetores.

Para dois vetores unitários com ângulo \(\omega\):

\[ SLERP(t) = \frac{\sin((1-t)\omega)}{\sin\omega}v_0 + \frac{\sin(t\omega)}{\sin\omega}v_1 \]

Aqui \(t\in[0,1]\) e \(0<\omega<\pi\). Endpoints coincidentes usam o limite contínuo; endpoints antípodas não determinam arco único de interpolação. A implementação precisa tratar explicitamente \(\sin\omega\) zero ou numericamente próximo de zero.

Útil quando linear interpolation não preserva bem magnitude/direção.


38. Compatibilidade de merge

Antes de fundir modelos, verificar:

  • arquitetura;
  • tensor shapes;
  • tokenizer;
  • vocabulary size/order;
  • rope/position config;
  • normalization;
  • base lineage.
\[ SameParameterCount \not\Rightarrow CompatibleParameterSemantics \]

39. Knowledge distillation

Teacher:

\[ q_T(y|x) \]

Student:

\[ p_\theta(y|x) \]

Uma loss típica:

\[ \mathcal L = \lambda\mathcal L_{hard} + (1-\lambda)T^2 D_{KL} (q_T^{(T)}\|p_\theta^{(T)}) \]

Aqui \(T>0\) é distillation temperature, novamente diferente de sampling temperature, e \(\lambda\in[0,1]\). O teacher é fixo e as duas distribuições usam o mesmo suporte de categorias; em distilação token-level isso exige vocabulários compatíveis ou alinhamento explícito. Sequence-level distillation pode ser usada quando não há logits diretamente alinhados.


40. Sequence-level distillation

Em modelos generativos, frequentemente teacher produz trajectories:

\[ y\sim Teacher(x) \]

que viram dados para student:

\[ (x,y)\rightarrow SFT \]

Isso é behavior distillation, mesmo sem logits do teacher.


41. Reasoning distillation

Teacher gera:

\[ problem \rightarrow reasoning\ trace \rightarrow answer \]

Student aprende traces ou respostas filtradas.

Risco:

\[ TeacherError \rightarrow StudentTrainingSignal \]

Por isso verifier/filtering é central.


42. On-policy distillation

Student gera sua própria trajectory; teacher fornece distribuição/feedback sobre estados visitados pelo student.

Vantagem:

reduz mismatch entre:

\[ D_{teacher} \]

e:

\[ D_{student} \]

É uma tendência forte em toolkits modernos de post-training.


43. Dataset distillation

Em vez de comprimir apenas o modelo, tenta-se construir dataset compacto:

\[ D_{small} \]

tal que treino nele aproxime treino em:

\[ D_{large} \]

Esse é um eixo separado de knowledge distillation.


44. Pruning

Mask:

\[ W'=M\odot W \]

com:

\[ M_{ij}\in\{0,1\} \]

Unstructured

Pesos individuais removidos.

Structured

Remove:

  • heads;
  • neurons;
  • channels;
  • layers;
  • experts.

Structured pruning tende a mapear melhor para hardware comum.


45. Sparsity não implica speedup

\[ Sparsity\uparrow \not\Rightarrow Latency\downarrow \]

se kernels/hardware não explorarem o padrão de sparsity.

Sempre distinguir:

\[ ParameterCount \]

de:

\[ ExecutedFLOPs \]

e:

\[ WallClockLatency \]

46. Continual learning

Nova distribuição \(D_{new}\) pode melhorar tarefa nova e prejudicar antiga.

Catastrophic forgetting:

\[ Perf_{old}(\theta_{new}) \lt Perf_{old}(\theta_{old}) \]

Contramedidas incluem:

  • replay;
  • regularization;
  • adapters separados;
  • mixture de dados;
  • lower LR;
  • selective freezing.

47. Curriculum

Distribuição de dados varia com tempo:

\[ P_t(x) \]

em vez de ser constante.

Curriculum pode organizar por:

  • dificuldade;
  • comprimento;
  • domínio;
  • reward;
  • confidence;
  • stage.

A ordem de exposição vira parte do algoritmo.


48. Long-context training

Aumentar sequence length afeta:

  • position system;
  • activations;
  • attention cost;
  • optimizer throughput;
  • packing;
  • loss normalization.

Treinar em 1M tokens não é simplesmente mudar max_seq_len.

Tooling contemporâneo já trata explicitamente loss, positions, activation memory e single-GPU sequence memory como gargalos separados.


49. Multimodal adaptation

Para VLM:

vision encoder
    ↓
projector / connector
    ↓
LLM

Podemos:

  • congelar vision encoder;
  • treinar apenas projector;
  • treinar LLM + projector;
  • fine-tune tudo.

Cada escolha muda:

\[ TrainableParams \]

e risco de destroying pretrained representations.

Veja 10_MULTIMODAL_VLM_OMNI_DATASHEET.


50. Diffusion/flow adaptation

LoRA também é comum em:

  • attention projections;
  • text encoders;
  • DiT blocks.

O mesmo conceito low-rank permanece, mas a função-objetivo e os observáveis são diferentes de LLM SFT.

Veja 04_IMAGE_GENERATION_DIFFUSION_FLOW_DATASHEET.


51. Data quality feedback loop

Um sistema maduro:

train
 ↓
evaluate
 ↓
find failure clusters
 ↓
collect / generate targeted data
 ↓
filter / verify
 ↓
retrain

Isso é active data engineering.

O benchmark passa a orientar aquisição de dados.

Risco: overfit ao benchmark.


52. Observáveis de treinamento

Nunca acompanhar apenas loss.

Optimization

  • train loss;
  • eval loss;
  • gradient norm;
  • parameter norm;
  • learning rate;
  • clipping fraction.

Throughput

  • tokens/s;
  • samples/s;
  • step time;
  • MFU/compute utilization quando disponível.

Memory

  • allocated;
  • reserved;
  • peak;
  • activation/offload.

RL

  • reward mean/std;
  • KL;
  • entropy;
  • response length;
  • zero-variance groups;
  • clipped fraction;
  • success rate.

53. Loss curve ≠ capability curve

\[ \mathcal L_{train}\downarrow \]

não garante:

\[ TaskQuality\uparrow \]

especialmente em:

  • overfit;
  • misaligned objective;
  • contaminated eval;
  • preference overoptimization.

A avaliação deve medir o comportamento desejado diretamente.


54. Training parameter coupling matrix

↑ variável Efeito primário Efeito secundário comum
batch/tokens update gradiente menos ruidoso pode exigir LR diferente
LR magnitude update ↑ instabilidade/forgetting ↑
context length informação por sample ↑ memory/compute ↑ forte
LoRA rank adaptation capacity ↑ trainable memory ↑
LoRA targets degrees of freedom ↑ interference/overfit ↑
preference beta constraint/strength muda style/capability trade-off
RL group size reward-relative estimate melhora rollout cost ↑
rollout length exploration/horizon ↑ cost/variance ↑
KL penalty policy drift ↓ exploration/capability gain pode ↓
distill temperature soft target smoothness muda dark-knowledge transfer muda

Relações não são universalmente monotônicas.


55. Failure surfaces

Optimization divergence

  • NaN;
  • loss explosion;
  • gradient explosion.

Catastrophic forgetting

Tarefa nova cresce; antigas caem.

Mode/style collapse

Responses convergem para template estreito.

Reward collapse

Reward sobe enquanto qualidade real cai.

Data contamination

Eval deixa de ser diagnóstico válido.

Synthetic monoculture

Diversidade diminui.

Overfitting

\[ Train\uparrow,Eval\downarrow \]

Merge interference

Competências individuais se anulam.


56. Local hardware reality

No seu tipo de bancada, diferencie:

Inference feasible

de:

Full training feasible

Uma GPU que roda Q4 de um 12B não necessariamente consegue treinar esse 12B.

Avalie a viabilidade separadamente em pico de VRAM, tempo de execução e suporte do runtime:

  • para o mesmo base model, adapter targets, batch e sequence length, QLoRA normalmente reduz a memória dos pesos da base em relação a LoRA com base BF16/FP16;
  • metadados de quantização, dequant buffers, activations e suporte de kernels ainda afetam VRAM total e tempo; menor memória dos pesos da base não garante treino mais rápido;
  • prompt tuning e adapters pequenos reduzem o estado treinável, mas ainda exigem a base e as activations necessárias para treinar esses parâmetros;
  • full fine-tuning acrescenta gradients e optimizer states dos parâmetros atualizados da base, enquanto pretraining também depende fortemente do volume de dados e do orçamento de compute.

Não há ordem universal desses métodos entre todos os hardwares, modelos e sequence lengths.

Calcule antes:

\[ M_{train} = weights+grads+optimizer+activations+workspace \]

57. Experimental protocol — fine-tuning

Ao comparar duas configurações:

Fixar:

  • base checkpoint;
  • tokenizer/template;
  • dataset split;
  • seed set;
  • number of tokens;
  • evaluation harness.

Variar apenas a hipótese de interesse.

Exemplo:

H0: r=16 e r=64 não alteram qualidade de domínio de forma relevante.

control:
  base model
  dataset
  target modules
  LR
  steps
  seed set

variable:
  LoRA rank

observe:
  validation loss
  target benchmark
  forgetting benchmark
  peak VRAM
  training time

Veja 17_EVALUATION_BENCHMARK_EXPERIMENTATION_DATASHEET.


58. Provenance tags específicas deste documento

Além das tags globais:

Tag Significado
DATA composição/transformação dos dados
TRAIN hyperparameter de treinamento
ALIGN preference/reward/alignment stage
PEFT parameter-efficient adaptation
DISTILL knowledge/dataset distillation
MERGE parameter/model merging

Veja CONVENTIONS.


59. Snapshot SOTA 2026

A fotografia relevante em outubro de 2026 é menos “qual algoritmo venceu” e mais uma convergência de práticas:

  1. SFT continua básico, mas post-training moderno separa offline preference methods, online RL e reward/verifier training.
  2. Tooling maduro expõe SFT, DPO, GRPO, KTO, RLOO, reward modeling e distillation como famílias distintas.
  3. RL de reasoning tornou rollout infrastructure, sampling e sequence-level statistics tão importantes quanto a loss nominal.
  4. GSPO popularizou a noção de sequence-level policy ratios como alternativa mais estável em certos regimes, especialmente MoE RL.
  5. PEFT deixou de ser sinônimo apenas de vanilla LoRA: DoRA, initialization strategies, adapter mixing e quantized training formam um espaço próprio.
  6. Model merging tornou-se engenharia prática com linear, SLERP, task arithmetic, TIES, DARE e variantes.
  7. Distillation moderna inclui logits, sequences, reasoning trajectories e on-policy teacher/student loops.
  8. Synthetic data exige curation/verifier; “gerar mais exemplos” não é uma política de dados suficiente.

60. Checklist de dissecação de qualquer checkpoint

  1. Qual é o base model?
  2. Qual tokenizer/template?
  3. Quantos tokens de pretraining?
  4. Qual mixture de dados?
  5. Qual objective?
  6. Houve continued pretraining?
  7. Houve SFT?
  8. A loss foi prompt+completion ou completion-only?
  9. Houve preference training?
  10. DPO/KTO/ORPO/RL/GRPO/GSPO ou equivalente?
  11. Qual reward/verifier?
  12. Online ou offline?
  13. Houve synthetic data?
  14. Houve distillation?
  15. É merge?
  16. Qual base lineage dos modelos merged?
  17. Houve pruning?
  18. Houve PEFT?
  19. LoRA rank/alpha/targets?
  20. Houve QLoRA/DoRA?
  21. Qual sequence length de treino?
  22. Qual optimizer/LR schedule?
  23. Qual benchmark guiou seleção?
  24. Há risco de contamination?
  25. Qual checkpoint é realmente servido na inferência?

61. Resumo mecânico

Este é um diagrama qualitativo de dependências. O símbolo de composição resume influências que interagem; não define lei quantitativa nem composição literal de funções matemáticas especificadas.

\[ \boxed{ ModelBehavior = Architecture \circ Data \circ Objective \circ Optimization \circ PostTraining } \]

A arquitetura define o espaço possível.

Os dados e objetivos definem para onde o sistema é empurrado.

A otimização define a trajetória seguida.

O post-training define quais regiões do comportamento são reforçadas ou suprimidas.

Inferência apenas opera o sistema resultante.


Referências snapshot

  • Direct Preference Optimization — https://arxiv.org/abs/2305.18290
  • ORPO — https://arxiv.org/abs/2403.07691
  • QLoRA — https://arxiv.org/abs/2305.14314
  • DoRA — https://arxiv.org/abs/2402.09353
  • DAPO repository/paper — https://github.com/BytedTsinghua-SIA/DAPO
  • GSPO — https://arxiv.org/abs/2507.18071
  • Hugging Face TRL docs — https://huggingface.co/docs/trl/index
  • Hugging Face PEFT docs — https://huggingface.co/docs/peft/main/index
  • Hugging Face PEFT LoRA — https://huggingface.co/docs/peft/main/package_reference/lora
  • mergekit merge methods — https://github.com/arcee-ai/mergekit/blob/main/docs/merge_methods.md
  • TIES-Merging — https://arxiv.org/abs/2306.01708
  • DARE / Language Models are Super Mario — https://arxiv.org/abs/2311.03099
  • Synthetic data generation/curation survey — https://arxiv.org/abs/2406.15126
  • Knowledge & Dataset Distillation survey — https://arxiv.org/abs/2504.14772