Multimodal / VLM / Omni Model Datasheet v1.0¶
Multimodalidade não é “um LLM que aceita imagem”. É a engenharia de converter sinais com topologias, resoluções e relógios incompatíveis em estados que possam interagir dentro do mesmo sistema.
Relacionados: 01_GUT_GENERATIVE_AI_UNIFIED_ENGINEERING, 02_LLM_TRANSFORMER_INFERENCE_DATASHEET, 06_AUDIO_MUSIC_TTS_GENERATION_DATASHEET, 09_LOCAL_AI_INFERENCE_RUNTIME_DATASHEET.
1. O problema fundamental¶
Considere modalidades:
com:
- texto: sequência discreta;
- imagem: grade 2D;
- áudio: waveform / espectrograma / codec sequence;
- vídeo: grade 2D + tempo.
O sistema precisa construir representações compatíveis:
seguido por alguma fusão:
A pergunta-chave não é “qual prompt usar?”, mas:
2. Topologias multimodais¶
2.1 Encoder + projector + LLM¶
Forma VLM clássica:
Se:
mas o backbone usa hidden size \(d_h\):
O projector pode ser:
- linear;
- MLP;
- convolutional/downsampler;
- resampler com queries aprendidas;
- attention bridge.
Failure surface¶
Backbone enorme + bridge fraco ainda produz gargalo:
A perda já ocorreu antes do LLM.
2.2 Cross-attention bridge¶
Texto consulta features visuais/sonoras:
Aqui \(d=d_k\) é a largura de queries/keys, e softmax é aplicado sobre as keys de cada query. \(Q\in\mathbb R^{N_t\times d_k}\), \(K\in\mathbb R^{N_v\times d_k}\) e \(V\in\mathbb R^{N_v\times d_{value}}\) produzem \(A\in\mathbb R^{N_t\times d_{value}}\).
Vantagem: não é necessário serializar toda modalidade como “tokens textuais” equivalentes.
Trade-off: mais módulos, estado e custo de atenção cruzada.
2.3 Joint / early fusion¶
Todas as modalidades entram numa sequência/estado conjunto. Nesta topologia, cada \(Z_m\in\mathbb R^{N_m\times d_h}\) representa features já projetadas para a largura oculta comum; a concatenação ocorre no eixo de tokens:
O backbone aprende interações diretamente.
Custo¶
Se atenção global for usada:
Logo, cada modalidade compete por orçamento de contexto.
2.4 Late fusion¶
Cada modalidade é processada mais profundamente antes da combinação:
Prós:
- especialização;
- menor interferência inicial.
Contras:
- alinhamento entre representações pode ser mais difícil;
- interação cross-modal tardia.
2.5 Omni / Thinker–Talker style¶
Sistemas omni podem separar:
mas compartilhar contexto/representações.
A saída pode ser interleaved:
ou multi-head.
3. Vision tokenization¶
3.1 Patchification¶
Imagem:
Patch \(P_h\times P_w\):
Exemplo idealizado 1024², patch 16:
antes de pooling/merging.
Isso explica por que “uma imagem” pode consumir milhares de posições internas.
3.2 Dynamic resolution¶
Em vez de resize fixo, sistemas modernos podem adaptar número de patches à razão de aspecto/resolução.
Estado:
Consequência¶
Duas imagens distintas podem ter custo de contexto muito diferente mesmo sendo ambas “1 imagem”.
3.3 Patch merging / token compression¶
Agrupamento \(k\times k\):
Trade-off:
Não existe compressão gratuita.
4. Vídeo dentro de um VLM¶
Sem compressão:
onde \(T_f\) é o número de frames amostrados.
Mesmo 1 fps pode produzir enorme sequence length em vídeo longo.
Estratégias¶
- frame subsampling;
- temporal pooling;
- tubelets;
- temporal patchification;
- hierarchical summarization;
- memory/compression tokens;
- long-context sparse attention.
Regra¶
porque pipelines podem mudar sampling rate ou comprimir adaptativamente.
5. Áudio dentro de modelos multimodais¶
Possíveis representações:
- log-Mel frames;
- continuous encoder states;
- semantic audio tokens;
- codec tokens;
- compressed summary tokens.
Se frontend gera \(r_a\) estados/s:
para duração \(D\).
Long-form audio é portanto um problema de sequence compression, não apenas de janela temporal.
Veja 06_AUDIO_MUSIC_TTS_GENERATION_DATASHEET.
6. Positional systems multimodais¶
Texto tem posição 1D:
Imagem possui:
Vídeo:
Áudio:
Modelos multimodais precisam codificar uma relação:
que preserve a estrutura relevante.
Modalidade ≠ posição¶
Além da posição, o backbone frequentemente precisa saber de qual modalidade veio o token:
Aqui \(e_i,p_i,m_i\in\mathbb R^{d_h}\): \(p_i\) é um embedding posicional derivado das coordenadas, não a coordenada física bruta. Modulation/segment embeddings são mecanismos alternativos.
7. Time alignment¶
Em diálogo audiovisual:
Uma palavra falada deve alinhar com o movimento/objeto correspondente.
Problemas:
- clocks diferentes;
- frame rates diferentes;
- codec delay;
- resampling;
- chunk boundaries.
Um sistema omni precisa estabelecer algum mapa temporal comum:
Failure surface¶
Se alinhamento temporal falha, o modelo pode identificar corretamente o que ocorreu, mas associar ao frame/evento errado.
8. Spatial grounding¶
Compreensão visual genérica:
Grounding exige:
Bounding box:
Pode ser representada como:
- tokens discretizados;
- coordenadas contínuas;
- special location vocabulary;
- segmentation masks.
A capacidade de “ver” e a capacidade de localizar não são equivalentes.
9. Interleaved multimodality¶
Em sequências mistas:
[text] [image] [text] [image] [audio] [text]
a ordem contextual passa a carregar semântica.
O modelo precisa manter relações como:
Esse problema combina:
- multimodal positional identity;
- long-context reference tracking;
- modality boundaries.
10. Multimodal output¶
Text output¶
Speech output¶
Image/video output¶
Pode haver outro backbone generativo condicionado pelo modelo de entendimento:
“Um modelo multimodal” pode portanto ser um sistema de múltiplos operadores, não uma única rede monolítica.
11. Multimodal token accounting¶
Para runtime:
Se o backbone causal constrói KV para tudo:
Conte os tokens após a compressão de modalidade e mantenha fixos batch size, número de camadas, dimensões das KV-heads e precisão. A proporcionalidade descreve armazenamento KV de atenção completa; estados de atenção linear e backbones híbridos exigem contas por tipo de camada. Essa equação é uma das mais úteis na prática.
Tradução¶
Adicionar uma imagem pode custar mais memória/contexto que milhares de palavras.
12. Cross-modal attention cost¶
Se texto \(N_t\) consulta visão \(N_v\):
Se fundimos tudo e fazemos self-attention global:
Esses são custos de mistura da atenção com batch size e número de camadas fixos, resumindo larguras compatíveis por head em d. Projeções, FFNs, encoders de modalidade e layouts de cache devem ser contabilizados separadamente. A arquitetura define a curva física.
13. Training objectives multimodais¶
Possíveis componentes:
Contrastive¶
alinha representações.
Caption/next-token¶
ensina descrição/resposta.
Reconstruction/generation¶
Grounding¶
Audio-visual synchronization¶
Treino multimodal moderno pode combinar:
Logo “é um VLM” não revela sua função-objetivo real.
14. Failure surfaces¶
14.1 Modality dominance¶
Uma modalidade sobrepõe as demais.
Ex.: modelo responde pelo prior textual mesmo quando imagem contradiz texto.
14.2 Projector bottleneck¶
Detalhes desaparecem no bridge.
14.3 Token starvation¶
Compressão agressiva perde pequenos objetos/texto visual.
14.4 Token explosion¶
Alta resolução/vídeo consome contexto e memória.
14.5 Temporal desynchronization¶
Áudio/vídeo semanticamente corretos, temporalmente errados.
14.6 Hallucinated grounding¶
Semântica plausível sem evidência espacial real.
14.7 Cross-modal conflict¶
O modelo precisa arbitrar fontes contraditórias.
15. Controls vs observables¶
| Variável | Classe | Efeito |
|---|---|---|
| image resolution | PIPE/INF |
altera visual token budget |
| frame sampling rate | PIPE/INF |
altera temporal coverage e tokens |
| max pixels / token budget | PIPE/BACKEND |
limita custo |
| audio chunk length | PIPE/INF |
latência ↔ contexto acústico |
| projector type | ARCH |
capacidade do bridge |
| vision encoder size | ARCH/MODEL |
qualidade/custo perceptual |
| context length | MODEL/BACKEND |
teto de estado conjunto |
| modality dropout | OBJ/TRAIN |
robustez a modalidades ausentes |
Observáveis úteis:
- tokens por imagem/frame/s;
- context occupancy;
- grounding accuracy;
- OCR accuracy;
- audio/video alignment error;
- first-token / first-audio latency;
- VRAM peak com/sem encoder carregado.
16. Snapshot SOTA — 2026-10-01¶
Qwen3.5-Omni exemplifica a convergência para omni models com:
- texto, visão, áudio e vídeo;
- Thinker/Talker;
- MoE híbrido;
- contexto longo;
- streaming speech;
- sincronização audiovisual explícita.
Qwen3-Omni já havia mostrado Thinker–Talker MoE e geração de fala por codec tokens; a geração seguinte amplia escala/contexto e sincronização.
O ponto arquitetural importante não é a marca: omni models estão tornando modality alignment + token compression + streaming state problemas tão centrais quanto o Transformer principal.
17. Checklist para dissecar qualquer VLM/Omni¶
- Qual encoder existe para cada modalidade?
- Qual a taxa de tokens/states produzida?
- Há projector, resampler ou joint backbone?
- Qual hidden dimension recebe cada modalidade?
- Como posição espacial/temporal é codificada?
- Quantos tokens uma imagem/vídeo/segundo de áudio consome?
- O backbone vê todas as modalidades no mesmo self-attention?
- Há cross-attention separado?
- Há heads/talkers/decoders independentes?
- Qual estado persiste em streaming?
- Como conflito entre modalidades é resolvido?
- Qual é a curva de VRAM com resolution/duration?
Referências snapshot¶
- Qwen3.5-Omni Technical Report — https://arxiv.org/abs/2604.15804
- Qwen3-Omni Technical Report — https://arxiv.org/abs/2509.17765
- Qwen3-ASR Technical Report — https://arxiv.org/abs/2601.21337