Time-Series & Tabular Foundation Models Datasheet v1.0¶
Números estruturados não são “texto com vírgulas”. Séries temporais têm ordem física e dependência temporal; tabelas têm features heterogêneas, missingness e simetrias diferentes. Foundation models nesses domínios precisam de uma física própria de representação.
Relacionados: 01_GUT_GENERATIVE_AI_UNIFIED_ENGINEERING, 09_LOCAL_AI_INFERENCE_RUNTIME_DATASHEET, 12_REWARD_VERIFIER_JUDGE_DATASHEET.
PARTE A — TIME SERIES FOUNDATION MODELS¶
1. Estado fundamental¶
Série multivariada:
Diferente de texto:
- posição corresponde a tempo físico;
- valores possuem escala/unidade;
- sampling interval importa;
- trend/seasonality/regime são propriedades do processo gerador.
2. Forecasting¶
Histórico:
Horizonte:
Predição pontual:
Distribucional:
A segunda formulação é superior quando múltiplos futuros são plausíveis.
3. Point-wise tokenization¶
Cada timestamp vira token/embedding:
Sequence length:
Bom para granularidade fina; ruim para sequências longas.
4. Patch tokenization¶
Patch de comprimento \(P\):
Para \(1\le P\le T\) inteiro, patches não sobrepostos e sem padding, este exemplo descarta o patch final incompleto. Aplicar padding ou retê-lo exige máscara/política explícita. O número de tokens de patches completos é:
Trade-off:
Com comprimento de entrada fixo, patches não sobrepostos maiores tornam a grade de tokens/atenção mais grosseira. Agrupar amostras em patches pode preservar todas as amostras; a perda de informação depende do embedding ou da compressão. Patching, sozinho, não equivale a downsampling do sinal.
5. Multi-scale representation¶
Processos reais contêm frequências diferentes.
Uma representação hierárquica pode manter:
com:
Fine scale captura spikes; coarse scale captura tendência/regime.
Zeus 2026 usa Transformer multiescala e hierarquia em U para equilibrar point fidelity e long-sequence efficiency.
6. Normalization¶
Uma série pode sofrer affine transform:
ou normalization local/instance-wise. Ajuste estatísticas somente com treino ou janela histórica disponível, conforme o recipe; nunca use a janela alvo do forecast. Normalize por feature quando necessário. Para \(\sigma=0\), defina regra para feature constante ou piso positivo de escala e aplique a transformação inversa correspondente de forma consistente.
Isso ajuda transfer entre séries de escala diferente, mas pode apagar significado absoluto quando magnitude é semanticamente importante.
Regra¶
não mero pré-processamento opcional.
7. Covariates¶
Contexto pode incluir:
Forecast real:
Separar:
- observed covariates;
- known-future covariates;
- static features.
Use avaliação temporal ou rolling-origin. Em cada origem de previsão, pré-processamento, imputação, seleção de features, thresholds e calibração podem usar apenas informação disponível até aquele instante. Um timestamp futuro não torna uma covariável medida conhecida antecipadamente: use sua previsão ou um valor realmente anunciado de antemão e registre os instantes de disponibilidade.
8. Deterministic forecasting¶
Loss MSE:
Ótima para mean prediction sob hipóteses específicas.
Problema: comprime multimodalidade do futuro em média.
9. Quantile forecasting¶
Para quantile \(\tau\):
Pinball loss:
Gera quantis como:
Os dois quantis extremos definem \([q_{0.1},q_{0.9}]\), intervalo de predição com cobertura nominal de 80%; \(q_{0.5}\) é a mediana. A cobertura precisa ser calibrada no domínio alvo. Verifique ordenação/cruzamento de quantis e cobertura empírica por horizonte e regime; declare eventual ajuste para evitar cruzamentos e ajuste-o sem acesso aos resultados do teste.
10. Probabilistic forecasting¶
Modelo pode parametrizar distribuição:
ou gerar amostras:
Metrics precisam avaliar distribuição, não só mean error.
11. CRPS¶
Continuous Ranked Probability Score mede distribuição predita versus observação.
Forma conceitual:
Menor é melhor.
12. Autoregressive forecasting¶
Problema:
acumulação de erro.
13. Direct / parallel forecasting¶
Prediz horizonte inteiro:
Evita AR error propagation, mas precisa modelar dependência interna do horizonte por outra forma.
14. Diffusion / flow time-series forecasting¶
Futuro como trajetória aleatória:
ou flow:
Útil para gerar ensemble de futuros plausíveis, especialmente em domínios multimodais.
Snapshot 2026: KiT aplica Diffusion Transformer + flow matching a trajetórias OHLCV financeiras.
15. Masked time-series modeling¶
Mascare intervalo \(M\):
Variar o padrão de máscara pode induzir tarefas:
- extrapolation;
- interpolation;
- imputation;
- abstraction.
Zeus usa Multi-Objective Temporal Masking para unificar tarefas sem fine-tuning específico.
16. Imputation¶
Dado mask \(m_t\):
Missingness pode ser informativa:
Em séries multivariadas, máscaras devem identificar missingness por feature, por exemplo \(m_{td}\). Preencher zero/mean sem mask explícita pode introduzir semântica falsa.
17. Anomaly detection¶
Possibilidades:
Reconstruction residual¶
Forecast surprise¶
Representation distance¶
Threshold depende do regime e custo de falso positivo.
18. Classification¶
Converta série em representação global:
Foundation model multi-task tenta tornar \(z\) transferível entre domínios.
19. Regime shift¶
Processo muda:
Em séries, drift pode ser:
- trend shift;
- volatility shift;
- seasonality shift;
- structural break;
- sensor recalibration.
Long context não corrige automaticamente regime antigo irrelevante.
20. Frequency domain¶
Transformada discreta:
Permite expor periodicidades, mas processos não estacionários podem exigir time-frequency/local methods.
Não elevar “decomposition” a requisito universal.
21. Failure surfaces em TSFM¶
- frequency aliasing;
- scale mismatch;
- irregular sampling;
- covariate leakage;
- future-known feature mal classificada;
- regime shift;
- persistence bias;
- horizon extrapolation collapse;
- underdispersed uncertainty;
- calibration failure;
- domain pretraining mismatch.
Um estudo de 2026 com Chronos-2 e TimesFM-2.5 relata falhas abruptas em padrões sintéticos selecionados de mudança de regime e, para TimesFM-2.5, de energy-release. Os autores sugerem a composição dos dados de pretraining como explicação possível, sem isolá-la causalmente. Os resultados se limitam aos modelos e geradores testados; “foundation” não implica capacidade universal.
PARTE B — TABULAR FOUNDATION MODELS¶
22. Estado tabular¶
Dataset supervisionado:
Aqui \(D_{features}\) é o número de features, distinto do dataset \(D\). Features podem ser:
- contínuas;
- categóricas;
- ordinais;
- timestamps;
- missing;
- strings/IDs.
Não existe necessariamente uma ordem natural das colunas.
23. Feature tokenization¶
Cada célula/feature pode gerar embedding:
Pode incorporar column identity:
Isso resolve parte da heterogeneidade.
24. Permutation considerations¶
Para um dataset representado como sequência de linhas, uma hipótese de exchangeability significa:
para toda permutação de linhas permitida \(\pi\). Trata-se de simetria da distribuição conjunta, não de independência: linhas i.i.d. condicionadas a uma variável latente compartilhada podem ser correlacionadas e ainda exchangeable. Estrutura temporal ou grupal pode restringir quais permutações preservam a distribuição; o split de avaliação deve respeitar essa estrutura.
Columns não são exchangeable semanticamente a menos que identidade seja preservada.
Arquitetura precisa distinguir:
25. Missingness¶
Defina mask:
Modelo ideal recebe:
Missing pode ser MCAR/MAR/MNAR; o mecanismo altera inferência.
26. Prior-data fitted networks — PFN intuition¶
TabPFN-style não é simplesmente “Transformer treinado em planilhas”.
Durante pretraining, modelo aprende sobre distribuições de tarefas/datasets sintéticos/priors:
Na inferência:
é computado in-context, sem otimizar novos weights por dataset.
Isso lembra amortized Bayesian inference / meta-learning.
27. In-context supervised learning¶
Contexto contém pares:
mais query:
Modelo retorna:
O “prompt” é o próprio training set.
28. Dataset size as context budget¶
Diferente de LLM:
crescimento de samples e features pressiona memória/attention.
TabPFN-2.5 amplia regime para dezenas de milhares de pontos e milhares de features, mas limites permanecem arquiteturalmente relevantes.
29. Classification vs regression¶
Classification:
Regression:
Regression exige modelar escala/caudas/heteroscedasticidade de forma que classification não exige.
30. Distillation to deployable model¶
Foundation model pode atuar como expensive teacher:
Distill para modelo menor:
TabPFN-2.5 introduz caminho de distillation para MLP/tree ensemble, separando training-time intelligence amortizada de runtime barato.
31. Tabular metrics¶
Classification:
- accuracy;
- ROC-AUC;
- PR-AUC;
- log loss;
- Brier/calibration.
Regression:
- MAE;
- RMSE;
- R²;
- NLL/CRPS quando probabilístico.
Comparar modelos em múltiplos datasets exige ranks/aggregate robustos, não apenas média bruta.
32. Tabular failure surfaces¶
- dataset too large/wide for context;
- high-cardinality categorical explosion;
- leakage;
- feature semantics mismatch;
- missingness mechanism shift;
- covariate shift;
- target shift;
- calibration drift;
- extrapolation fora do suporte;
- IDs tratados como números ordinais;
- dependência temporal ou grupal que quebra a simetria de permutação assumida.
33. Time series vs tabular — não fundir mentalmente¶
Time series:
Tabular i.i.d. clássico:
Time series possui relógio e horizonte; tabular supervisionado possui training set/context.
Por isso dividimos o mesmo arquivo em duas metades, mas não tratamos como a mesma matemática.
34. Runtime¶
Time series¶
Custo principal:
Tabular PFN¶
Custo:
Em ambos, aumentar “dados de contexto” não altera weights, mas aumenta inferência.
Veja 09_LOCAL_AI_INFERENCE_RUNTIME_DATASHEET.
35. Snapshot SOTA 2026¶
Zeus¶
- tuning-free multi-task TSFM;
- point-wise tokenization;
- multiscale Transformer;
- Multi-Objective Temporal Masking;
- forecasting, probabilistic forecasting, imputation, anomaly, classification.
TabPFN-2.5¶
- expansão substancial de dataset/feature regime;
- strong in-context tabular prediction;
- deployment distillation para MLP/tree ensembles.
KiT¶
- flow-matching Diffusion Transformer para trajetórias financeiras futuras;
- exemplo de objetivo generativo contínuo aplicado a forecasting.
A mensagem importante: time-series/tabular FMs estão divergindo arquiteturalmente, não convergindo para um simples “LLM de números”.
36. Checklist TSFM¶
- Point ou patch tokenization?
- Qual sampling interval?
- Normalization faz parte do recipe?
- Há covariates future-known?
- Forecast é point, quantile ou distributional?
- AR ou parallel?
- Qual horizon treinado/avaliado?
- Como lida com missing/irregular sampling?
- Qual regime shift esperado?
- Forecast samples são calibrados?
- Qual footprint por comprimento de série?
37. Checklist Tabular FM¶
- Como continuous/categorical são representados?
- Column identity está explícita?
- Missing mask é usado?
- Inference é in-context ou fine-tuned?
- Qual limite de rows/features?
- A ordem das rows importa para implementação?
- Probabilidades são calibradas?
- Há distillation para deploy?
- Como trata high-cardinality categorical?
- Há risco de leakage no contexto?
Referências snapshot¶
- Zeus: Towards Tuning-Free Foundation Model for Time Series Analysis — https://proceedings.mlr.press/v306/fu26n.html
- TabPFN-2.5 — https://arxiv.org/abs/2511.08667
- KiT: Diffusion Transformer for financial time-series forecasting — https://arxiv.org/abs/2609.34507
- Causal Analysis for Time Series Foundation Models — https://arxiv.org/abs/2608.24303